Dezembro Laranja

Dezembro Laranja é uma ação da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele, cuja finalidade é conscientizar toda a população sobre o perigo da incidência solar – energia radiante emitida pelo Sol, especificamente aquela que é transmitida sob a forma de radiação electromagnética.

Eu, como médica dermatologista, levo comigo a responsabilidade diária de orientar, instruir e educar os meus pacientes sobre a seriedade deste assunto. Vamos entender um pouco melhor sobre este assunto?

O que é câncer de pele?

Este tipo de câncer é um tumor que atinge a pele e é causado principalmente pela exposição excessiva ao sol. Ele é o câncer mais frequente no Brasil e no mundo, sendo mais comum em pessoas com idade superior a 40 anos e é considerado raro em crianças e pessoas negras.

Quais os tipos de câncer da pele?

Carcinoma basocelular (CBC): Ele surge nas células basais, que se encontram na camada mais profunda da epiderme (a camada superior da pele), sendo o mais prevalente dentre todos os tipos. Os CBCs surgem mais comumente em regiões expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas. Podem desenvolver-se também nas áreas não expostas, ainda que seja mais raro.

Certas manifestações do CBC podem se assemelhar a lesões não cancerígenas, como eczema ou psoríase e o tipo mais encontrado é o CBC nódulo-ulcerativo, que se traduz como uma pápula vermelha, brilhosa, com uma crosta central, que pode sangrar com facilidade.

Este tipo de câncer tem baixa letalidade e pode ser curado em caso de detecção precoce. Em alguns casos, além da exposição ao sol, há outros fatores que desencadeiam seu surgimento e por isso é importante o acompanhamento de um médico especializado para diagnosticar e prescrever a opção de tratamento mais indicada.

 

Carcinoma espinocelular (CEC): É o segundo mais prevalente dentre todos os tipos de câncer e manifesta-se nas células escamosas, que constituem a maior parte das camadas superiores da pele. Ele pode desenvolver-se em todas as partes do corpo, embora seja mais comum nas áreas expostas ao sol, como orelhas, rosto, couro cabeludo, pescoço etc. 

Em geral, a pele nessas regiões apresenta sinais de dano solar, como enrugamento, mudanças na pigmentação e perda de elasticidade. O CEC é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres.

Assim como outros tipos de câncer da pele, a exposição excessiva ao sol é a principal causa do CEC, mas não a única. Alguns casos da doença estão associados a feridas crônicas e cicatrizes na pele, uso de drogas antirrejeição de órgãos transplantados e exposição a certos agentes químicos ou à radiação.

Normalmente, os CECs possuem coloração avermelhada e apresentam-se na forma de machucados ou feridas espessos e descamativos, que não cicatrizam e sangram ocasionalmente, podendo, também, ter aparência similar à das verrugas.

Melanoma: Este é o tipo menos frequente dentre todos os cânceres da pele e tem o pior prognóstico, com o maior índice de mortalidade. Embora o diagnóstico de melanoma normalmente traga medo e apreensão aos pacientes, as chances de cura são de mais de 90%, quando há detecção precoce da doença.

O melanoma, de modo geral, possui a aparência de uma pinta ou de um sinal na pele, em tons acastanhados ou enegrecidos. Porém, a “pinta” ou o “sinal”, mudam de cor, de formato e até de tamanho, podendo causar sangramento. Por isso, é importante observar frequentemente com atenção a própria pele e buscar imediatamente um dermatologista caso detecte qualquer lesão suspeita.

Essas lesões podem surgir em áreas difíceis de serem visualizadas pelo paciente, embora sejam mais comuns nas pernas, em mulheres e nos homens a região do tronco. O pescoço e rosto são áreas em comuns para ambos os sexos.

Então, conheça os sintomas mais evidentes que devem levantar o sinal de alerta!

  • Assimetria;
  • Bordas irregulares;
  • Coloração;
  • Diâmetro;
  • Coceira e sangramento;
  • Inflamação.

Essas informações não eliminam uma consulta clínica, em caso de dúvida marque uma consulta com um especialista rapidamente, pois somente um médico especializado pode fazer o diagnóstico correto. Fiquem atentos, pois uma lesão considerada “normal” para um leigo, pode ser suspeita para um médico.


Por Dra. Thaissa Penteado

Dermatologista associada da SBD.
CRM 120.792 – RQE 34115